Soma Bringer OST

A ORDEM DOS FATORES ALTERA A SOMA

Depois de fazer apenas a programação e efeitos de som em jogos como Hanjuku Hero e Romancing SaGa 2, Yasunori Mitsuda queria mostrar que também tinha talento na composição. Para corroborar isso, na maior audácia, pediu a Hironobu Sakaguchi, então na Squaresoft, a permissão para escrever alguma trilha sonora. O pai de Final Fantasy atendeu o pedido e ordenou para o jovem Mitsuda criar as músicas de Chrono Trigger. Você sabe que ele destruiu tudo. E repetiu a dose, em menor proporção, é verdade, em Xenogears e Chrono Cross. Depois disso, só lampejos de inspiração, a exemplo de Xenosaga Episode I: Der Wille zur Macht. Jogos menos conhecidos, como Luminous Arc e Deep Labyrinth começaram a popular o currículo de Mitsuda, que parece não exibir
mais a genialidade e outrora. Não que isso tenha mudado em
Soma Bringer...

RPG da Monolith Soft, estúdio que recentemente se tornou first-party da Nintendo, Soma Bringer, tem na produção dois nomes ligados à série Xeno, o produtor Tetsuya Takahashi e a roteirista Soraya Saga, por isso não é de estranhar a presença de Mitsuda na composição. Pena que o ambiente praticamente familiar não o ajudou a fazer uma trilha inesquecível. Bem longe disso.

O que Soma Bringer OST tem de extensa – três CDs, com 22, 17 e 20 faixas, respectivamente – tem de insípida. “Scars of Time”? Nenhuma tão boa quanto o tema de abertura de Chrono Cross. No máximo, “Temple of the Sand Coffin” lembra um pouco o estilo por conta do uso do som sintetizado que lembra o bouzouki. Curiosamente, algumas faixas de Mitsuda lembram o trabalho de outros compositores. Por exemplo, “Schildkrote” tem um quê de Hitoshi Sakimoto de Final Fantasy XII e GrimGrimoire; “Green Wind” é quase uma faixa de Hiroki Kikuta em Secret of Mana. Nada memorável. “- Ring -” melhora um pouco. É uma belíssima canção a cappella (sem acompanhamento musical) com a performance das cantoras Eri Kawai, Koko Komine e Tamie Hirose. Mas é tão curta (cerca de um minuto) que quando começa a contagiar, acaba. Será que precisamos de um novo Chrono para ouvirmos uma trilha com a antiga qualidade de Yasunori
Mitsuda?

Por Alexei Barros (alexei@hive.com.br)